Tolerância como referência de hospitalidade

por Lucas Pereira
Acadêmico do Curso de Gestão em Hotelaria
da Castelli – Escola Superior de Hotelaria – Canela – RS

Site - Imagem 8Conforme Frei Betto, escritor e religioso mineiro, da Ordem Dominicana, a tolerância é a capacidade de aceitar o diferente. Mas devemos lembrar que ser tolerante não significa simplesmente aceitar tudo passivamente e sim ter inteligência para  avaliar os fatos,  analisar os limites ultrapassados e então agir com sabedoria.

Em nosso convívio diário, sempre existem pontos de vista divergentes, pois no mundo sempre houve discordância entre as pessoas, isto quer dizer que cada ser humano tem o seu modo de pensar, por isso, a necessidade de sermos tolerantes, pois a intolerância nos leva sempre para condições de conflitos, guerras e intrigas. Sempre existiu na história a intolerância de grupos religiosos e políticos onde somente os intolerantes sentem-se os donos da verdade.  Exemplos de intolerância são os conflitos religiosos entre cristãos e muçulmanos, oriente e ocidente, capitalismo e socialismo onde um grupo não tolera o outro e vice versa. Outro exemplo de falta de tolerância são os grupos de torcida organizada de times de futebol, tradicionalmente adversários, que agem com ignorância, espancando-se mutuamente por divergências de pensamento. Na África do Sul, Nelson Mandela ficou preso durante muitos anos, simplesmente, por defender uma causa na qual havia divergência de pensamentos faltando a tão necessária tolerância.

Ser tolerante é ser como uma mãe que fecha o olho para pequenas coisas que seu filho faz e ela não aprova. Ser tolerante é entender que não precisamos ser 100% certinhos, que podemos deixar passar pequenos deslizes.

No ramo hoteleiro, a tolerância é um importante atributo da hospitalidade e deve ser praticada por toda a equipe hoteleira. Deve-se fechar o olho para pequenos desvios às regras do hotel que por ventura o hóspede faça. A equipe hoteleira deve estar preparada para saber até que ponto pode tolerar certos desvios, fazendo o balanço para determinar qual prejuízo é maior: chamar a atenção do hóspede e ter um hóspede descontente ou não tomar nenhuma atitude arcando com o ônus que esta atitude possa causar, seja ela de segurança, de educação, uso indevido de instalações do hotel, barulho, problemas de relacionamento com outros hóspedes. Não devemos fazer uma tempestade em um copo d’água, gastando saliva à toa com o que não vale apena. Isto não quer dizer que devemos ceder quando se tratar de defender a justiça e a dignidade, além do direito de ter princípios para agir conforme a moral e os bons costumes. Para não colocar a prática da hospitalidade em risco, a tolerância pode nos indicar o caminho ou nos dar uma luz no convívio com o outro, principalmente no que ele for diferente, pois a tolerância enriquecer o processo de hospitalidade.

No Novo Testamento podemos encontrar em Coríntios (13,4-7).

Pode-se aplicar ao tolerante o perfil descrito por São Paulo no Hino ao Amor da 1ª Carta aos Coríntios: “é paciente e prestativo, não é invejoso nem ostenta, não se incha de orgulho e nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita nem guarda rancor”. “Não se alegra com a injustiça e se jubila com a verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”.

CONCLUSÃO

Aquele que não é tolerante, não merece ser tolerado e, lembrando, que todos são humanos, todos são passíveis de em algum momento, ultrapassar alguns limites. Seja no trabalho, no casamento, na condição de hóspede ou na condição de quem hospeda,  tolerar é necessário para o bem comum. Tolerar é como perdoar, assim, sempre deve ser avaliado se é melhor tolerar (perdoar) ou exigir o cumprimento tal e qual foi estabelecido. Cada atitude terá o seu custo e suas consequências. Saber avaliar e decidir é um momento de inteligência.

REFERÊNCIAS

CASTELLI, G. CASTELLI, Silvana. Hospitalidade: Uma vantagem Competitiva. Canela. Escola Superior de Hotelaria, Editora São Miguel, 2010

CASTELLI, Geraldo. HOSPITALIDADE. A inovação na Gestão das Organizações Prestadoras de Serviços. São Paulo. Editora Saraiva. 2010.

Bíblia Sagrada. Novo Testamento. Editora Ave Maria. São Paulo, SP – Brasil, 1977.

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Postado em Marketing da Hospitalidade por Cleon Gostinski em maio 24th, 2013 às 11:32.

3 comentários

3 de Comentários

  1. Quanto à pertinência de conteúdo o texto se apresenta qualificado;
    Quanto à demonstração de Raciocínio Lógico: a discussão demonstra coerência;
    Quanto à originalidade das ideias: Estabeleceu-se uma linha de raciocínio com satisfatória originalidade.

  2. Napoleon B. Poole fev 19th 2014

    Voltando ao problema do trato dos emigrantes! Quem vive numa Alemanha pergunta-se: porque é que os emigrantes alemães não têm conotação negativa na sociedade alemã? Também eles saíram para melhorar a vida. Porque é que não se nota neles aquele nosso preconceito burguês do estatuto social como substrato do nosso ser e pensar? Porque é que se pensa no “lá vêm os emigrantes”, que parecem levar tudo na enxurrada, e não nos turistas portugueses a dar vida ao mercado? Porque apostar sempre na diferença pela negativa? O facto de os emigrantes terem a experiências da terra e do estrangeiro torna-os, por vezes, impacientes, indiscretos e ousados, à frente dos balcões dos bancos e dos serviços públicos; isto não deve ser o suficiente para serem olhados de lado! Ou será aquela inveja fina de cara para inglês ver acrescentada de um espírito burguês a roçagar nas almofadas das cadeiras dos nossos locutores?

  3. Jewel P. Mays fev 21st 2014

    Sabemos, finalmente, que os linchamentos no Brasil nem sempre foram tão espontâneos como se poderia acreditar: “Por trás da espontaneidade dos linchamentos há uma estrutura dissimulada em que sempre atuam pessoas de autoridade: um fazendeiro ou seu empregado, comerciantes, um funcionário, um policial, que de alguma forma organizam a multidão para invadir delegacias de polí­cia ou pequenas prisões para executar delinquentes ou suspeitos”.


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